FANTASIA

A Fantasia , A ilusão, A expectativa, A idealização, nossos veneninhos paralizantes.

Envenenam a realidade.  E no final das contas podem até abstrair em nós o valor da realidade,  da possibilidade inerente ao real de que tudo pode diferir do que está sendo. Sim, seguir diferindo, sempre, e consecutivamente, segundo após segundo. 

Vamos brincar com as fantasias (roupas) e olhar para elas no viés do que materializa em nós outra imagem diferente do que geralmente vemos em nós, do que incorpora em nós outros gestos, do que interpreta em nós outra apreensão de mundo , e até mesmo do que fomenta em nós outros pensamentos e falas. 

Vamos vestir constantemente outras experiências mais sutis das roupas: Uma saia justa e longa que torna andar passos  bem pequenos; ou o sapato de salto alto que altera a altura de onde vemos o mundo; e o esvoaçar de um tecido esvoaçante que faz-nos sentir esvoaçantes. 

Nossos veneninhos, precisam receber um peteleco,  para  que como  bolas de gude e suas cores de limites borrados sigam passando.

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Camiseta Chá, meu colete Romantico.

MEMÓRIA E INGENUIDADE

A Memória que alimentamos em nós é também  corpo.

E ao vestir esse corpo, com a proposta de uma coleção permanente, como a Respire é?

A Mergulhadora (o desenho) da nossa estampa é alvo constante de carinho real com os dedos alisando ela;  em plena produção, no corte das peças, os pedaços de tecido que saem e não serão a peça, são beijados em agradecimento;  o cachecol do casaco cachecol que venta, venta para provocar quem o está vestindo;  a roda da saia pregas quando se abre em giro anima o movimento de giro.

E na contagem do tempo... Quando nos deparamos com a menina da blusa Salto, já há 10 anos conosco, vemos ela em seu eterno movimento - monociclo, salto, cambalhota, flor para-quedas, e novamente monociclo... - notamos sua eterna ingenuidade.

Toda essa poesia que acontece e é cultivada preciosamente como fonte de afirmação em nossos processos de trabalho se tornou chão de segurança e força.

Ao longo dos anos, a poesia ganhou maturidade e consistência na Respire porque constrói a nossa história com uma memória leve, a memória de renascer ingênua todos os dias, ou seja, renascer livre e cegamente comprometida ao nosso propósito de vestir.

 

Meu corpo, nossos corpos - Novas estampas

Uma Baleia é um Grande corpo. E nós seres humanos, um corpo bem menor que "pensa", mas será que vê ?

Você já olhou no olho de uma baleia, e ela te olhou de volta, te viu? Já acariciou uma Tartaruga cansada porque engoliu plástico? Já viu marimbondos bebes com sua colmeia cheia de "tios"... Já viu uma planta se recuperar instantaneamente da falta de água e ficar tenra novamente em 1 segundo?Já viu um mangue, seu inúmeros "toquinhos" cheios de musgos, que parecem filhotes de vida pura?Já viu cachorros uivando em corrente porque algum começou a uivar?

Com certeza você já admirou a natureza , já amou mergulhar e ver cardumes coloridos de peixes passar, já achou lindo os pinguins num vídeo da national geografic, e já se refrescou de maneira única em uma cachoeira brilhante e num mar incrível - ambos de águas transparentes.

Tudo que achamos de lindo e fofo na natureza, está vivo. Vivo como nós estamos quando vemos. Cada elemento da natureza, mudo ou não, tem tanto direito a vida e as belezas da vida quanto nós. Eles também temem a dor e querem ser felizes, como nós. 

Você percebe isso? Ver a vida deles, ver com os seus próprios olhos sem nada eletronico ajuda muito.